Índice

Alegrias e tristezas em um  orfanato

                                                            (Trabalho missionário infantil)

01- Quando Deus chama
02-Quando tudo começou
03-Te mpo das “vacas gordas”
04-Tempo das “vacas magras”
05-O desespero de algumas crianças
06-“O milagre, do biscoito!”
07-Saindo do orfanato
08-As promessas começam se cumprir
09-Trabalho missionário infantil
10-Deus cura uma mulher cancerosa
11-  Amores Missionários
12- Lar das velhinhas
13- O que fazer em uma tribo indígena?
14- O que tem no envelope branco!
15- Será que Deus se preocupa com os meus detalhes?
16-A Van ficou praticamente destruído
17- O que me falta para o campo missionário?
18- Estarei distraído, ou atento, quando Deus me chamar?
19- O desafio
20- Culto? Só se for bem baixinho!
21-Por estar possessa, a mulher se portava como um animal
22-Parecia que estava tudo acabado. E agora, o que fazer?






 Eu amo Missões, e você?

01- Quando Deus chama


Tania


“Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta.”


01- Quando Deus chama
      O Deus que um dia disse: Haja luz! É maravilhoso. Pois mesmo a sua glória sendo tão imensa, Ele se preocupa conosco, vou além, Ele têm um carinho especial, para aqueles que confiam Nele.
Ele não escolhe a pessoa pela aparência, e sim de uma forma inexplicável, pois Deus com certeza conhece o coração de cada um, e sabe quem realmente o ama.
     Imagine só, você dentro do ventre de sua mãe, e Deus já fazendo planos para a sua vida! É realmente algo tremendo e glorioso.
        Ao profeta Jeremias, o Senhor disse que mesmo antes dele ser formado no ventre, Ele já o conhecia, e antes que ele saísse da madre, o havia santificado as nações, e o dado como profeta. Pois mesmo Jeremias ainda não ter nascido. Deus já o conhecia, e fazia planos para ele.
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      Para algumas pessoas, isso pode não parecer verdade, mas para nós servos do Senhor, é com certeza uma realidade, pois cremos em seu poder, e sabemos perfeitamente que Ele pode fazer o sobrenatural em nossas vidas. Cremos que o Senhor tem uma chamada para nós, por isso, devemos sempre pedir a Ele que realize a sua vontade em nossas vidas.
   Será que Deus tem uma chamada missionária para a sua vida? Talvez você esteja se perguntando... Talvez, não um idem, mas com certeza uma chamada para intercessão em favor dela, ou para contribuir no sustento daqueles que vão. O que não podemos fazer é nos omitir, pois omissão é pecado.
     O apostolo Paulo disse: ”Não tenho a minha vida por preciosa, contando que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus. At 20.24” Então seja qual for a sua chamada, é muito importante que você a valorize, e nunca diga que você não tem condição de assumi- La. Lembre-se: “Tudo posso naquele que me fortalece” Fl 4.
     Quando Deus nos manda entregar o nosso caminho a Ele, com certeza espera que nós também confiemos inteiramente Nele, pois sem fé é impossível agradara Deus.
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     A nossa chamada depende da nossa fé, sabemos que de nós mesmos não temos capacidade, mas se confiarmos no Senhor, Ele nos capacitará.
“Não que sejamos capazes por nós de pensar alguma coisa como de nós mesmos, mas a nossa capacidade vem de Deus, o qual nos faz capazes de ser ministros 2 Co 3.5,6”.
O importante para Deus é que você execute bem a sua chamada; Não importa qual seja o seu cargo, (pastor ou porteiro) mas que o faça com amor e dedicação.
Pessoas estão indo para o inferno/Ilustração
   Não esquecendo principalmente da fé; crendo que Deus o está vendo pelos serviços prestados. O bom testemunho é importantíssimo na vida do cristão, pois aqueles que nos “olham” poderão ver através das nossas vidas, que temos uma chamada de Deus, e assim teremos a grande oportunidade de ganhá-las para Cristo. O apostolo Paulo foi um grande exemplo. Ele tinha sede de ganhar almas, e que possamos também termos esta sede para alcançar vidas para o reino do Senhor, pela operação do Espírito Santo. Que venhamos ser impulsionados a fim de que sem parar, possamos trabalhar pela salvação de muitas outras almas.
     Devemos sempre lembrar, que Deus não se agrada de covardes, tímidos na sua obra; Por isso devemos colocar as mãos no arado e não olharmos para traz.

02- Quando tudo começou

02- Quando tudo começou
Petrópolis/ Ilustração
Na linda Cidade de Petrópolis, RJ morava uma jovem chamada Maria, esta havia acabado de saber que estava grávida; Em outras circunstâncias isso seria maravilhoso, mas para ela, uma jovem solteira e que sabia que não teria apoio para ter o seu bebe, ficará apreensiva. E agora? O que fazer?? Foi onde ela lembrou-se de Deus e pediu a ele que a ajudasse, pois ela queria ter o bebe, não queria abortar  pois sabia que isto era errado e contra a seus princípios 
Ela não conseguia trabalho, com certeza por estar grávida e se não bastasse tinha um problema muito sério no coração e ainda havia pegado tuberculose.
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Chegou então o grande dia. Não sei definir exatamente o que ela sentia, se era alegria por saber que iria ganhar o se bebê ou tristeza por não saber o que fazer com o bebê  pois estava muito doente e desenganada pelos médicos, mas ela encontrava forças para pedir sempre ajuda a Deus, e mesmo parecendo que as portas estavam fechadas, ela não desistia da sua fé, ela sabia que Deus a daria um escape. https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRbgt5T4_KbbKY6EDH2JDsN1Qf7N9GEXG5aOMoYkSYUSxRtX7dW-Q
Chegou a noticia, era uma menininha, de pele clara, cabelos pretos e lhos castanhos, bem miudinha pois havia nascido prematura  e infelizmente com os dois pezinhos virados para dentro.
O parto foi complicado, pois a jovem Maria estava muito debilitada, a ponto do médico dizer a ela que a sua situação era grave. Já no quarto, quando colocou a sua filhinha no colo ela começou a chorar, agora um choro de desespero  pois não tinha apoio dos familiares,e para onde ir com seu bebê? https://encrypted-tbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTvF8TYSo8w0OHcG__OKre6S9nVFylUBaNnLtt1v7YOmGMQM0Ha
Foi então que entrou uma senhora no quarto, conhecida como tia Lourdes, ela era assim conhecida, por tomar conta de muitas crianças órfãs  de pai, mãe. Tinha com certeza um coração muito bondoso.
Falando um pouquinho da tia Lourdes: Ela era casa com o tio Octávio  eles eram missionários na Cidade de Petrópolis, Ela nascida em Minas gerias e ele no Rio de Janeiro, foram para Petrópolis, cumprir o mandato do Mestre Jesus; haviam entregado suas vidas inteiramente nas mãos de Deus. Eles não tinham filhos , mas com o “coração enorme” e cheio de amor cuidavam de crianças que precisavam de ajudas. Eles tinham uma casa e desta casa fizeram uma creche, onde abrigavam ali mais de quinze crianças; crianças que realmente eram deixadas ali, algumas não sabiam nen que eram seus pais. Mas par aquele casal de missionários isso não importava, pois eles as colhiam com muito carinho. https://encrypted-tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRyuqTXNpdAh-1CHEdNUPxmG9uAT_eXdJwdOhHURIihKjfRNd3yNão importava a cor, e nem o sexo, eles cuidavam delas como se fossem seus próprios filhos. https://encrypted-tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSLxYP25_IW5ejHXMWE4SUisgOrPo14BW_fEchF2vNDcYrJyopYSAEles não tinham condições financeiras para cuidar daquelas crianças, pois só o sr Octávio era aposentado (dois salários mínimos), mas as pessoas do bairro viam o esforço do casal, e ajudavam, alguns com dinheiro e a outros com alimentos e roupas. Tudo era muito simples, Mas graças a Deus , o casal conseguia manter aquela creche, ajudando assim aquelas crianças que  realmente não tinham para onde ir.
Mas voltando ao hospital, quando a tia Lourdes entrou naquele quarto o os olhos da jovem brilharam, pois a reconhecia por morarem no mesmo bairro e por saber da “fama” da tão querida tia Lourdes. Deus a havia respondido, e como se já soubesse, a tia Lourdes disse que se ela https://encrypted-tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQIRaqav8mXrCX40gyeDsq7g_GOIPXayDdSxfTh74sVsqJkveatquisesse ficaria com o seu bebê até que ela melhorasse, pois por fazer um estágio de enfermagem no hospital, ela ficara sabendo da situação daquela jovem, e que realmente o seu estado era bem grave, a ponto de nem poder alimentar a sua filhinha. É claro que ela aceitou, chegou até fazer aquela mulher tão querida a ficar com o seu bebê, se ela morresse devido a doença.
A jovem não podia sequer abraçar o seu bebê  pois era gravíssima a sua situação, tia Lourdes então pegou aquela criança e a levou para casa. Interessante que parecia que era sua filha, parecia que ela havia dado a luz, pois se sentia assim, afinal, aquela menininha só tinha três dias de nascida, com certeza foi amor a primeira vista. A jovem Maria, havia colocado o nome de Tania na criança, onde todos a chamavam de Taninha. Se a Taninha pudesse falar, ela contaria que ao chegar na casa 





     
Missionária
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   Mais tarde eu pude ver e compreender o grande amor que aquela mulher sentia. Eu ainda bebê, se pudesse entender, discernir naquele momento, iria ver que naquela casa havia muitas crianças, e que a casa era diferente das outras. Não só os quartos eram cheios de camas, como outras duas salas também eram; eram beliches distribuídos por vários cômodos; pois ali viviam crianças deixadas por mães que precisavam trabalhar, e o único lugar que confiavam em deixar era ali naquela casa, pois conheciam a dedicação do casal que cuidava d seus filhos. (Octávio e Lourdes) É difícil acreditar, mas algumas mães solteiras abandonavam seus filhos; e a tia Lourdes ao invés de processá-las, continuava a cuidar das crianças, ela sabia que com certeza Deus tinha um plano para com cada uma delas.     A sua casa havia se transformado mias ou menos em uma creche, ela era casada e seu esposo também gostava muito das crianças, cada uma delas era considerada como filha também para ele.
     Por algumas vezes eles tiveram que mudar de casas, mesmo eles possuindo casa própria, precisavam fazer isso devido ao número de crianças que iam chegando. Tinham que pagar aluguel, para poder acomodar a todos que chegavam ali.  Você pode estar pensando como o casal conseguia manter aquelas crianças, pois com certeza não eram ricos, então como sustentá-las?  Mas eu posso responder.  Este casal tinha um chamado de Deus, “um chamado missionário infantil.”
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      Eles com a sabedoria que vinha de Deus conseguiam organizar famílias para ajudar no sustento daquelas crianças. O testemunho de vida deles era tão grande que as pessoas sentiam prazer em ajudar, e ainda incentivavam outras famílias a fazerem o mesmo.
     Com o passar dos anos, a tia Lourdes ( que era considerada mais como uma mãe) foi convidada para trabalhar em um orfanato, ela e o seu  marido, o irmão Octávio.
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 O casal de missionários deixou tudo para traz, pois para eles o mais importante era estar fazendo a obra de Deus, a obra missionária. Levando consigo apenas roupas e objetos pessoais. Venderam seus móveis e pela fé, foram trabalhar ali naquele lugar. Parecia inacreditável! As crianças que eles também levaram, não conseguiam acreditar, pois apesar do lugar ser humilde, tinha bastante espaço e podiam assim brincar a vontade.
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     O casal havia passado por muitos “apertos”, pois, ás vezes tinha que sair de uma casa as pressas, pois na época das chuvas, corriam o risco da mesma desabar. Lembro-me que muitas vezes eles não sabiam para onde correr com aquelas (aproximadamente) trinta crianças. Na maioria das vezes pediam aos vizinhos que ajudassem, acolhendo em suas casas aquelas crianças. Assim passávamos noites dormindo em colchões espalhados pelo chão. Para “nós” tudo aquilo que estava acontecendo era à maior festa, mas para eles com certeza era algo desesperador, mas nunca perderam a esperança em Deus, e pediam sempre a sua misericórdia.
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     Mas falando da ida de todos para o novo lar; o Orfanato era localizado em Secretário, quarto distrito de Petrópolis, eles puderam contemplar ali, aquilo que realmente estavam precisando, pois como já disse, havia espaço e também segurança, eles não precisariam ficar preocupados em dias de chuvas. Além disso, o lugar oferecia cozinheiros, lavadeiras, arrumadeiras etc. para nós pareciam um sonho que estava se realizando.
  Tinha também uma igrejinha (como a chamávamos), e lá aprendíamos á respeito de Deus, era maravilhoso este momento, pois através da fé, sabíamos que ainda que todos nos abandonássemos, Deus jamais o faria. A tia Lourdes era dinâmica, ela nos ensinava também a orar, a cantar corinhos, a interpretar, éramos tão bons nisso, que às vezes recebíamos convites para nos apresentarmos em outras igrejas; E isso era bom demais!
"A Igrejinha"
      Tínhamos o nosso culto de oração. A porta da Igrejinha ficava sempre encostada, para que quem quisesse tirar alguns momentos de oração tinha liberdade para isso; E gostávamos disso. Nas noites de quarta, sexta e domingos, nos reuníamos na igrejinha para louvar a Deus; muitas crianças aproveitavam para orar, para pedir a Deus que as protegessem e dessem a elas um lar; um lar de verdade, onde teriam de fato uma família, roupas e brinquedos novos. Família, roupas e brinquedos novos.

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    Eu devia ter uns dez anos de idade, quando em culto de oração das crianças, Deus usou uma delas para falar comigo; dizia-me que eu tinha uma chamada para a sua obra, e que também me levaria a muitos lugares, pois a obra seria grande. Muitas crianças do orfanato eram batizadas com Espírito Santo, e falavam como a própria Bíblia menciona, em outras línguas. Com o passar do Tempo tudo ia se modificando, mas eu nunca tinha me esquecido do que Deus falara para mim naquele dia. Aprendíamos sobre o batismo no Espírito Santo e até mesmo sobre os dons de línguas, a tia Lourdes fazia questão de nos ensinar segundo as Escrituras. Mesmo
Porque para nós isso era muito importante, pois queríamos com certeza ter e sentir o Espírito de Deus em nossas vidas.
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     O nosso dia a dia era bem divertido, pois apesar da maioria sonhar com um lar, onde pudessem desfrutar do calor de uma família, e ser exclusivamente amado, era também interessante estar no orfanato, quase não saíamos, e por isso tínhamos mais tempo para aprender sobre a palavra de Deus, inclusive havíamos decorado os nomes dos livros da Bíblia, de Gêneses á Apocalipse, e todos que nos ouviam dizerem e cantarolar ficavam admirados, pois em um só coral citávamos os  em ordem. Gostávamos muito das histórias Bíblicas, pois através dela aprendíamos o que era certo e o que era errado.

03-Tempo das vacas gordas


03-Tempo das vacas gordas
Dentro do possível tínhamos certo conforto, pois no orfanato havia até uma escola, pequena e bem simples, na verdade era duas salas de aulas, com duas professoras, uma de português e a outra de matemática. Por isso sabíamos ler e escrever. Gostávamos de colorir como outra criança qualquer a única diferença era não termos uma família para admirar o nosso trabalho, a tia Lourdes fazia o possível, mas éramos muitos e isso se tornava uma tarefa impossível, visto que havia outras coisas para fazer; Pois haviam empregados, e ela era diretora.

Sala de aula do Orfanato
Ela procurava dar o melhor de si, pois eram agora sessenta e cinco crianças, e isso com certeza exigiam muito esforço e dedicação, principalmente na hora da alimentação, pois não     era uma tarefa tão simples. Mas ela sim, conseguia tirar de letra!    
   Realmente era uma tarefa muito difícil, pois no orfanato havia de recém nascido á adolescente, e era necessária uma atenção muito grande, pois a responsabilidade era inteiramente do casal. Mas Deus os ajudava em tudo, e muito difícil era ver uma criança doente.  Como se ver na foto, uma hora muito esperada por todos era a hora das refeições, pois para tudo tinha horário, não comíamos um biscoito fora do horário, devido ao número grande de crianças, pois com certeza isso traria uma desorganização completa.
      uma criança que foi deixada pela mãe ainda recém nascida. Assim como eu, foi criada sob os cuidados da tia Lourdes, e seu esposo. Interessante que dela mesma não tinha filhos, mas por adoção tinha algumas dezenas.
     Às vezes não entendemos o que Deus tem para nós, ou melhor, custamos a entender, mas quando isso acontece, vemos como Ele é maravilhoso, não é um Deus egoísta, e sim misericordioso. Pois cuida dos seus, e jamais desampara aquele que o teme, Deus é fiel, ainda que não sejamos, mas Ele permanece fiel. Só sabe realmente o que é não ter um lar, quem já passou por isso. No mínimo é não ter privacidade, não ter nada só seu, como roupas, sapatos, brinquedos, ou um simples chinelo.
    
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     É você nunca poder dizer que aquela roupa que o outro está usando é sua. Quando você gosta de algo, tem que torcer para vesti-lo novamente. 
     Quando penso no casal de missionários, fico impressionada, pois como pode duas pessoas se dedicar tanto a outras!  Eles poderiam simplesmente “curtir” a vida sem preocupações, mas não, preferiram, se dedicar a quem realmente precisava de amor, afeto... Muitas pessoas confundem a obra missionária, acham que é só chegar á um púlpito e pregar, acham até que bastam ser “avivalistas,” ou visitar outro País, Acham que é só chegar dizendo que a viagem foi maravilhosa! É muito mais que isso! Tem que realmente haver uma renúncia. A obra missionária deve ser de suprema importância e cada servo de Deus deve ser conscientizado disso.
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     Algumas vezes aparecia no orfanato pessoas querendo adotar crianças, mas infelizmente elas iam por interesses próprios, pois visualizavam apenas aquelas “bonitinhas” e principalmente brancas. Não iam pela necessidade das crianças, e sim, por elas mesmas; por isso a maioria por não ter tais “qualidades” não era adotada. Tornando a frustração mais próxima do que já era; Apagando assim muitos sonhos, de que difíceis iam se tornando impossíveis.
(A maioria era órfã)
                                                    
     A expectativa de serem adotadas era grande, pois todos queriam ter sua família, seu próprio quarto. Podia ser ver isso nos olhinhos de cada um, mas principalmente nas maiores, pois elas sabiam que suas chances eram bem pequenas. Algumas em dias de visitas tentavam se arrumar o máximo que conseguiam, mas mesmo assim era difícil se destacar, pois as pessoas que chegavam ali, já iam com a intenção de adotar crianças menores. Diziam que era mais fácil de a criança se acostumar.
                                (Elas sonhavam em ser adotadas, mas só algumas conseguiam)
(O desejo de terem uma família era muito grande)
A se elas realmente fizessem tais ações com o coração, iriam ver que ali havia muitos sonhos, sonhos que muitos por terem desde pequenos desprezam, que é ter simplesmente mais atenção, mais carinho, não ter que ter um horário para comer um biscoito ou simplesmente ir para o seu quarto e deitar

  Infelizmente a maioria crescia dentro do orfanato, por mais que a tia Lourdes se esforçasse, não conseguia dar o que elas realmente queriam, pois era difícil dar atenção a uma só criança, ela procurava distribuir o seu amor de igual para todos. Muitas vezes ela orava a Deus, pedindo-O que Ele preparasse um lar, para aqueles que tanto queriam, pois o desejo dela era ver todos bem colocados. Tivemos no orfanato uma menina que chegou lá pequena com seus irmãos e saiu de lá casada, com um rapaz que de vês enquanto ia lá “visitar a igrejinha.”
(Em dias de visitas éramos todos vestidos iguais, por isso ficava difícil se destacar)
   Eu não queria ser adotada, quando estas pessoas chegavam lá, eu me escondia. A irmã Lourdes me dizia que eu tinha grandes chances de ser adotada; mas eu era feliz ali. Talvez por ter sido criada por ela, eu a tinha como minha verdadeira mãe.  Amava e a respeitava muito, sentia-me protegida. Eu era muito tímida, sentia vergonha das pessoas que iam visitar o orfanato; sempre que podia me escondia e só saia novamente depois que elas iam embora.

   As outras crianças zombavam de mim por isso; E outras até me entregavam, (aos visitantes) tornando as coisas mais difíceis, pois aí que as pessoas queriam me conhecer. Mas a tia Lourdes percebendo isso, me protegia, e eu me sentia segura.


As quatros crianças
     Era um dia muito frio, e com certeza o inverno daquele ano estava rigoroso, talvez por isso, chegou ali uma mulher com quatro crianças. Essas que depois também foram abandonadas, Isso acontecia muito com mães solteiras, ou largadas por seus “companheiros” mães que não tinham condições de cuidar de seus filhos sozinhos, ou que queriam continuar a vida sem “problemas” Isso era bem comum lá. No dia que chegou essas crianças eu senti muita pena da menor, pois ela estava “morrendo” de medo, e não queria se separar da mãe (e fazia isso chorando muito) Não saía de perto dela nem por um segundo. Foi quando eu me aproximei, tentando ajudá-la; O que parecia impossível. Passavam-se os dias e ela não parava de chorar, com isso ficava sem comer e começou a emagrecer muito. O nosso medo maior é que ela adoecesse, ou até mesmo coisa pior. Por isso eu passava muitas horas com ela, dando atenção, carinho, a ponto de ela começar a me chamar de mãe. E ela alimentou tanto isso, que crescia achando que eu era a sua mãe
     A tia Lourdes separava as meninas maiores para ajudar a tomar conta das crianças menores, isso facilitava muito o serviço, e preenchia o espaço vazio. Então nós as maiores adotávamos as menores como filhas, dávamos banhos, penteávamos os cabelos, escolhíamos as roupas que elas iriam vestir, as colocávamos na fila para as refeições, etc. Isso para nós era maravilhoso, pois passávamos para as crianças menores, o carinho que gostaríamos de receber, e é claro a tia Lourdes via isso e ficava muito contente, pois sabia que assim estava amenizando o sofrimento de muitas ali.
Presentes no final do ano
   Gostávamos muito quando chegava o final do ano, pois além de ganharmos presentes, no natal, a tia Lourdes fazia um bolo enorme, para comemorar os aniversários, coletivamente. E essa, para nós era uma festa importantíssima. Ficávamos ansiosos para que esse dia chegasse. Uns já nem sabiam mais quando faziam aniversários, na verdade todos achavam que fazíamos mesmo era no final do ano. Parece triste, mas na verdade era bem divertido, pois o casal de missionários fazia ficar divertido, e isso para nós era o que realmente importava.



     Quando aproximava a tão sonhada festa, todos ficavam muitos ansiosos, pois estava chegando o grande momento, finalmente iríamos comemorar o nosso aniversário. Colocávamos a melhor roupa, o melhor sapato, e tentávamos melhorar o visual o máximo possível, pois para nós aquele dia seria inesquecível; Pois além de comemorarmos, podíamos chamar alguém conhecido para estar conosco; é claro que sempre escolhíamos alguém que ia à Igrejinha, pois eram as únicas pessoas que conhecíamos mais de perto. E isso realmente era fascinante...
(O difícil era comer o bolo do lado do “inferno”)
     A tia Lourdes procurava sempre falar do amor de Deus a nós, ela usava vários meios para isso. Ensinávamos a amar, a perdoar e a respeitar o nosso próximo, seja ele quem fosse. Muitas vezes falava conosco usando até mesmo a natureza, dizendo que o Criador havia feito tudo. E ficávamos maravilhados com tudo aquilo. Uma vez ela fez um bolo, e ele nos falava dos dois caminhos (Céu e inferno) tudo era bem interessante, era um jeito bem divertido de aprender, agora o difícil era comer o bolo do lado do “inferno”.

     Havia algumas pessoas ricas que gostavam de ajudar o orfanato, levando principalmente alimentos. Inclusive eram elas que pagavam  o salário dos empregados. Pareciam muito simpáticas, e uma vez por mês iam lá levar donativos. Tiravam um tempinho até para brincar com algumas delas. Para nós que praticamente nunca saíamos; Qualquer um que chegasse lá, era a maior novidade, principalmente se levassem balas, pirulitos e até chicletes. Uns voltava para a visita, mas a maioria nunca mais aparecia; Talvez por ter já conseguido o seu objetivo de “bons cidadãos”.
Eu aprendi muito ali no Orfanato, o casal de missionários, com sua simplicidade, nos faziam conhecer e amar a Deus Aprendemos realmente a conversarmos com Deus, e fazíamos isso com prazer,a quantidade de oração era grande, e sabíamos que Deus as estava ouvindo,e isso significava muito para nós. A beleza desse momento era incomparável. Com certeza minhas palavras falham ao expressar minha profunda gratidão a estes servos do Senhor que me ensinaram a servir a Deus e a amá-lo; trabalhou incansavelmente juntos na fé, para nos ensinar a palavra, o caminho. Uniram seus corações em um só propósito, que era fazer a vontade de Deus. Hoje eu vejo que seus árduos e preciosos trabalhos, produziram frutos abundantes.


   Dou toda glória a Deus, por ter nos feito conhecedor da sua maravilhosa palavra, por assim nos salvar, pois é assim que me sinto, salva por Jesus, que com certeza me resgatou das trevas, trazendo-me para a sua luz; e hoje pela sua misericórdia posso servi-lo na Igreja, na obra missionária.
(Recebíamos donativos dos visitantes)




   Para nós era muito importante a chegada dos visitantes, pois sabíamos que eles levariam ali muitas novidades, como: O biscoito que passava na televisão... E eram sempre as mesmas pessoas, já as conhecíamos e gostávamos delas também.





     Os anos iam se passando e muitas crianças iam crescendo dentro do orfanato, inclusive eu. Umas já haviam perdido os seus sonhos, por mais que quisessem, não conseguiam mais sonhar, pois a realidade estava por perto a todo o momento; outras estavam começando a sonhar, qual seria o final dele, ninguém sabia; Mas enquanto podiam com certeza, não iriam desistir. As experiências, nós levaríamos pro resto da vida, fossem elas boas ou ruins. É muito diferente ser criado em casa com os familiares, e ser criado dentro de um orfanato; Em casa por mais que sejam os problemas, a pessoa está em família, agora em um orfanato, uma simples comemoração como o dia da mãe ou do pai, já é bem complicado. A criança, o máximo que ela consegue sonhar, é como já disse, em ser adotado, ter uma família  roupas etc. Ninguém lá sonhava em ser um médico ou professora, e sim apenas em ter um pouco de privacidade, um lar.

    Ter um lar era o que realmente à maioria sonhava, Mas como já disse os sonhos com o tempo iam passando, e a realidade se tornando cada vez mais visível. Essa era a realidade, crescíamos ali, e víamos a maior parte de nossas vidas passando ali dentro daquele orfanato; sempre as mesmas pessoas, a mesma rotina. O que nos aliviava, era quando falávamos com Deus, pois mesmo pequenos que éramos, sentíamos a sua presença, e sabíamos que Ele era real; Era o único que tínhamos coragem de realmente contarmos os nossos segredos, as nossas vontades... A nossa esperança estava Nele, e assim como tínhamos aprendido, Ele iria nos tirar daquela situação, iria com certeza nos dar aquilo que realmente queríamos e que só Ele conhecia, pois era o nosso segredo. Ainda que esse desejo fosse realizado em longo prazo, não importava, pois o importante é que ele ia se realizar, essa era a nossa fé.
(Muitas crianças saiam já adolescentes, jovens)


     A tia Lourdes era uma pessoa bem alegre, podíamos ver que tudo que ela fazia era por amor. Um pequeno gesto seu, era motivo para todos nós ficarmos alegres.  Ela conhecia o sofrimento de cada um, e por isso sempre que podia fazia alguma coisa bem divertida. Eu sonhava em ser como ela, pois a achava muito especial. Às vezes tentava imaginar, como podia uma pessoa, amar tanto outras pessoas; Pessoas que nem mesmo ela conhecia. Víamos que o seu único deseja era ajudar; Dar um pouco de conforto e carinho a quem realmente precisava,

 Ela conhecia a todos, e chamava cada um pelo nome, outra coisa que me chamava atenção, era que mesmo sendo tantas crianças; ela sabia quando alguém estava realmente triste ou feliz.
Eu sei que assim como eu, muitas crianças guardaram aquilo que lhe fora ensinado, pois quando vemos pessoas assim, como aquele casal de missionários, é impossível esquecer, Principalmente no mundo em que vivemos hoje, cheio de interesse, maldades, egoísmo. Eu consegui, e assim como eu, creio que muitos também conseguiram; pois mesmo vivendo em um mundo tão inseguro, passamos aquilo que aprendemos que é o amor, o perdão, etc. Pois temos esperança em um Deus, que é único, e que nunca desampara os que Nele esperam.
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   Sabemos que de nosso próprio nascimento não tivemos escolha, mas nascemos como pecadores. Mas também sabemos, pois um dia aprendemos, que ao aceitarmos o Senhor Jesus como Salvador, os nossos pecados foram perdoados, pois fomos lavados no sangue de Cristo, e temos hoje o Espírito Santo que habita em nos.

     Algo que jamais esquecerei, (sou grata a Deus e ao casal de missionários por isso) é da Palavra de Deus, que é a Bíblia Sagrada. Pois aprendi a reverenciar e a amá-la; Tínhamos tanto respeito pela Bíblia, que a tia Lourdes a usava para descobrir algum culpado. Quando alguém fazia alguma “arte” e ninguém sabia quem era o responsável, ela primeiro perguntava, mas sem sucesso da resposta; ela então mandava que cada um de nós colocasse a mão encima da Bíblia, dizendo não ser ele ou não o causador da “arte” e assim era descoberta a pessoa; pois todos nós tínhamos muito medo de colocar a mão, e sairmos no mínimo “fulminados.”