04-Tempo das vacas magras


04-Tempo das vacas magras
     Na época eu não conseguia entender o porquê, só hoje, consigo; E sei que Deus tinha um plano, uma experiência para todos ali, mas principalmente para mim. Não conseguia de fato entender porque aquele casal, que tinha um coração tão bom, começou a passar por provações. Eu às vezes perguntava pra mim mesma como eles ainda conseguiam (mediante as tantas coisas ruins acontecendo) a cantar, estarem alegres na presença do Senhor! Hoje eu compreendo que era importante eles terem passado por isso. E pra mim serviu de experiência também; Devemos amar a Deus em momentos de bonança, mas também em momentos de aflição; Amá-lo acima de todas as coisas. Há pessoas que acham que Deus ás vezes dorme, mas elas estão terrivelmente enganadas, pois Ele, jamais dorme. Ele está sempre presente, mas quando quer também nos prova! Uma lição disso tem de quando os discípulos achavam que iam perecer, e bastou uma pequena palavra do Mestre, para que o vento e o mar se acalmassem.
     Já não recebíamos tantas ajudas mais, e  por não ter como pagá-los, os empregados começaram a ir embora.
O casal foi abandonado até mesmo por aquelas pessoas que havia convidado-os para trabalharem ali.
O que estava acontecendo? Parecia um pesadelo! Pois se aqueles com quem contávamos estava agora nos abandonando, o que fazer! Soube apenas que uma das mulheres que havia feito o convite para o casal trabalhar ali estava com depressão (motivos conjugais) e não podia mais assumir nada.
Sem ajuda, o que se poderia fazer! Até hoje não sei explicar, realmente quais foram os motivos; A única coisa que sei é que o casal de missionários não abandonou uma criança sequer; Pois permaneceram ali, mesmo não podendo contar mais com aquelas ajudas, que antes eram prestadas.
Tio Octávio 
Ilustração
     Foi um ano bem difícil, pois o Tio Octávio ganhava pouco, principalmente para cuidar de sessenta e cinco crianças; Mas mesmo assim ele não desistiu. Com ajuda dos irmãos que iam à Igrejinha ele conseguia com muita dificuldade manter aquelas crianças; Ele podia contar com os esforços de alguns irmãos que trabalhavam em roças, pois estes traziam legumes. Ele também saia pedindo ajuda a famílias. Cada um ajudava da maneira que podia. Uns chegavam de charretes, outros a cavalos, para poderem assim contribuir; Mas a situação continuava bem difícil. Quantas vezes podíamos ver o tio Octávio e a tia Lourdes orando, pedindo a Deus, que os ajudassem que os dessem forças, para eles continuarem na sua jornada. Às vezes eu encontrava a tia Lourdes chorando, mas mesmo assim era ela que nos confortava.
   
(Eles realmente nos amavam, pois mesmo na dificuldade, não nos abandonou).
     Já não tínhamos mais a mesa farta, para ser mais clara, não tinha quase nada para comer, pois os irmãos que nos ajudávamos eram também muito pobres, a horta que o tio Octávio tinha no orfanato, não dava conta para tantas “bocas”. No café da manhã tomávamos um chá (chá de alfavaca) que tirávamos da horta, no almoço, era comum comermos apenas macarrão branco, ou mais conhecido como macarrão com caldo, e ficávamos felizes quando tínhamos alguma coisa para comer no jantar! Realmente a situação estava bem difícil.

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