05- O desespero de algumas crianças


05- O desespero de algumas crianças
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     Eu vivi neste orfanato por muitos anos, pois como já disse, entrei lá ainda bebê e só fui sair adolescente; e pude ver e sentir, o que aquelas crianças passavam. Muitas começaram a se revoltar com a situação. (eu não) Não tinham roupas e sapatos direitos e agora até a comida? Isso era demais para elas. Se antes já quase não saíamos, agora então parecia ser isso, impossível. (Não recebíamos mais visitas, e isso fazia de nós pessoas desprezíveis para alguns assim pensávamos . Claro, seria ignorante de a minha parte esquecer os irmãos que apareciam na igrejinha, mas eram só eles! E agora ninguém se atrevia a sonhar mais.
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     Uma adolescente, que assim como muitas chegaram ali bem pequenas, não conseguiu mais levar adiante aquela situação, e tentou suicídio, para tristeza do casal e de todos ali; Ela foi pega querendo cortar os pulsos, e se não fosse vista a tempo, teria conseguido; Ao ver que não iria conseguir tal ato, começou então a gritar que queria morrer! – Pra que viver! Dizia ela. Não sei direito com que coragem, mas consegui consolá-la, dizendo que era aquilo que o inimigo de nossas almas queria que ela fizesse; E que ela tinha que ter forças pra lutar, pois todos estavam tendo dificuldades; E que precisávamos nos unir, para poder passar por aquela situação. E que morrer daquele jeito só traria destruição pra ela, e para os que a amavam. Foi também mostrado a ela que não deveria esquecer tudo aquilo que lhe foi ensinado, pois era para o seu próprio bem. Graças a Deus ela conseguiu se acalmar, e nunca mais tentou aquilo novamente.
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     De todos que estavam ali internados, eu era a pessoa de mais confiança do casal. Talvez pela minha firmeza, ou por sempre demonstrar que ali era o meu lar, e que nunca havia pensado em ir embora. Na verdade não sei mais que eles confiavam em mim, ah, isso confiavam! A Única pessoa que a tia Lourdes deixava vê-la chorando era eu, pois mesmo sendo adolescente eu conseguia confortá-la de algum jeito; Talvez por ter aprendido com ela mesma, agora era a minha vez de fazê-lo.
(Ficávamos esperando a comida chegar)
     O tio Octávio saía todos os dias para ir arrumar ajuda para nós, podia estar fazendo sol, ou chuva, e lá ia ele. Muitas vezes saia triste, pois não sabia se iria conseguir, sabendo que ele tinha que conseguir! Afinal muitas bocas dependiam dele, então ele não podia ter si quer o “capricho” de poder descansar. Lembro-me que todas as vezes que ele saía, ele sempre orava ao Senhor, pedindo direção, e quando conseguia, colocava todos nós para agradecermos a Deus, pela provisão. Só que a situação a cada dia que passava, ficava mais difícil, e era preciso que a tia Lourdes fosse com ele para ajudá-lo. Mas como! Com quem deixar as crianças? Mas era preciso, pois não tinha comida nem para o almoço.
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Aconteceu o que eu jamais achava que aconteceriam, eles me explicaram a gravidade da situação, e disseram que eu precisava ficar responsável, por algumas horas pelas crianças, ou então não teríamos nada para o almoço. Claro, levei aquele susto, em principio não queria ficar, achava aquilo impossível, mas eu também não tinha escolha; O jeito era ajudar como podia; E com certeza não seria nada fácil; Pois como já disse, não era só eu como adolescente ali, havia outros, meninas e meninos adolescentes; Será que eles iam entender isso? Não, não era tão simples assim. Alias, achava que eles não iriam nem aceitar isso. Mas foi ao contrário do que eu estava pensando, pois todos concordaram, mas no meu pensamento eu ainda achava que aquilo era apenas uma estratégia para eles poderem ficar sozinhos, bagunçando tudo e a todos.
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   Toda vez que o casal queria dar uma advertência, ou era a hora do almoço, etc. eles tocavam uma sirene, e todos viam correndo e formavam filas. E isso era sempre. Foi assim que eles disseram quando me apresentaram para “tomar conta” de todos. Todos teriam que me obedecer, e realmente eu não sei se isso era bom ou era ruim; Será que eu daria conta! Afinal isso era inédito na minha vida. É parecia que todos estavam dispostos a ajudar; mas eu havia me esquecido que os menores concordavam, mas não sabiam direito com o que estavam concordando, e eles me deram muito trabalho, a se deram!

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